9 de dezembro de 2009

A Vida num Sopro

Pode soar a cliché, mas fala-vos uma pessoa que já viveu de perto com o suicídio.
É sobre esta prática, cada vez mais corrente em Portugal que hoje vos venho falar.

Muitos dos leitores do meu Blogue sabem que o meu pai suicidou-se. Para quem não sabia ficou a saber. Aqui fica uma das minhas primeiras confissões públicas. É verdade, é necessário conviver com a realidade, mesmo sendo 3 meses após desta se ter concretizado.


Hoje vinha-vos falar da guerra no Iraque, mas a minha passagem pelo blogue da minha prima, que não se chama blogue da minha prima, como é obio, mas sim Cogumelos e Açordas, fez-me pensar num assunto muito delicado.

Hoje soube também, que na minha faculdade suicidou-se uma rapariga ontem. Atirou-se de um penhasco.

A vida não é um conto de fadas para ninguém, até a pessoa mais feliz do mundo tem desgostos. Na minha opinião suicídio nunca é opção.

Em Portugal em 2003 11,1 pessoas por cada 100 mil morreram por suicídio sendo que a distribuição por género é de 17,1 por 100 mil para os homens e 5 por 100 mil para as mulheres. A taxa de suicídio em Portugal aumentou 100% em dois anos - 2002 e 2003 -, gerando preocupação na comunidade médica que aguarda os números relativos aos anos de 2004 e 2005 para confirmar se a tendência se mantém. Os últimos dados revelam que se registram 1100 suicídios por ano, no país.
Portugal passou de cerca de 500 suicídios por ano, no final da década de 90, para 1200, em 2002, e 1100, no ano seguinte. Um aumento de taxa que ultrapassa os 100% e que está a deixar a comunidade médica apreensiva e na expectativa de se voltar aos anos negros das décadas de 30 e de 80, altura em que o número de suicídios foi sempre em crescendo.            Fonte: Wikipédia
 Todos os sinais de possível suicídio são detectáveis, basta estar atento e estar receptível. O amor é o maior bem que se pode dar, e há no mundo, amor que chegue para todos, não o guardem com vocês. Se alguem tivesse dado uma mão à minha colega de curso, ela não se tinha atirado.


Se sou culpado? Pela morte dela não. Pela morte do meu pai também não. Seríamos todos culpados então, a partir do momento em que não damos amor ao próximo. Em nós não reside a culpa, só a solução. Cabe-nos administrá-la.

4 comentários:

Raquel disse...

Há certos assuntos que nos custa comentar, pois são demasiado intimos e só tu sabes o que te vai na alma.
Apenas admiro a coragem e a forma de como lidas com o sucedido!
És corajoso e essa é a melhor postura!
Fica bem!

Um beijinho!
:)

P.S nestas situações nao se atribuem culpas, NUNCA!

taniah disse...

Como a tua prima dexou escrito num comentário seguido do teu: "UM MINUTO DE SILÊNCIO"

UM MINUTO DE ILÊNCIO PARA ELA.

Ninguém repara primo; ninguém quer saber. Passamos a maior parte do tempo ocupados a contar quantos são os nossos problemas e esquecemo-nos que o mundo é uma bola maior que aquela na nossa barriga a quem chamam de umbigo.

Pesssoalmente acho o suicídio um acto de cobardia mas cada vez menos somos alguem com autoridade, moral ou postura para criticar, julgar ou subentender.

Os meus sentimentos a ti e todos quem já perderam alguém.

Maria Oliveira disse...

Miguel Miguel.. ninguém diria que por baixo dessa tua boa-disposição toda tu terias passado por tal coisa. Não passei exactamente por essa situação em especial, mas perdi o mesmo elemento da família, não faz muito tempo. Acredito que esta situação seja mais delicada de lidar. Mas tu tens feito isso como ninguém. Pelo menos no que passas cá para fora.
Quanto ao conteúdo do post em si, só tenho a dizer que me custa imenso engolir notícias dessas. A morte só por si já é injusta, mais injusto ainda para nós e para os outros é antecipá-la.
Deixo-te um grande beijinho, e sabes que podes contar comigo sempre que precisares :)

M disse...

Obrigado a todos pelo vosso apoio!

Obrigado mesmo!